Em livro-entrevista, o ex-presidente fala da condenação na Justiça, do golpe, da Globo, dos erros do PT e da esperança de disputar as eleições

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Em livro-entrevista, o ex-presidente fala da condenação na Justiça, do golpe, da Globo, dos erros do PT e da esperança de disputar as eleições

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A obra, com prólogo de Luis Fernando Veríssimo e prefácio de Luis Felipe Miguel, reúne artigos de Eric Nepomuceno, Rafael Valim e Camilo Vannuchi

 

“Como eu sou da política e acho que todos nós que temos um lado pagamos um preço, estou disposto a pagar o meu preço”, afirma Lula a certa altura do livro-entrevista “A Verdade Vencerá”, a ser lançado na sexta-feira 16.

A declaração não reflete o espírito de alguém conformado com uma condenação que considera injusta, mas de quem enxerga nos processos judiciais uma estratégia para perseguir um projeto político, uma “forma e jeito de governar”.

Quatro experientes entrevistadores se reuniram para conversar com o ex-presidente em três dias de fevereiro (a editora Ivana Jinkings, da Boitempo, e os jornalistas Juca Kfouri, Maria Inês Nassif e Gilberto Maringoni). Ao longo dos encontros, Lula oscilou entre a indignação por conta da “canalhice e da mentira mais escabrosa inventada” no País e o velho estilho paz e amor. “Tenho tanta consciência do papel que posso desempenhar que não tenho espaço para ser vingativo”.

Nos depoimentos, colhidos semanas antes e logo após a condenação em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o ex-presidente relembra detalhes de seus dois mandatos, analisa o Brasil e fala abertamente de personagens como Dilma Rousseff, José Dirceu e Antônio Palocci. Lula reafirma por fim a intenção de lutar até o fim por seus direitos (“Não roubei e não vou engolir. Essa é a luta da minha vida”), de disputar as eleições presidenciais de outubro e de voltar a governar o Brasil.

A obra, com prólogo de Luis Fernando Veríssimo e prefácio de Luis Felipe Miguel, reúne artigos de Eric Nepomuceno, Rafael Valim e Camilo Vannuchi.

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Livro-entrevista “A Verdade Vencerá”, a ser lançado na sexta-feira 16

 

Confira a seguir alguns trechos:

Dilma Rousseff

“Apenas achava que a mesma inteligência que a Dilma usou para aprender termos técnicos, termos econômicos, ela deveria ter tido para aprender na relação humana, na relação com o político.”

“Tenho uma relação com a Dilma de muita honestidade, muita fidelidade e muito companheirismo.”

Antônio Palocci

“Lamento. Fui amigo da mãe do Palocci desde a fundação do PT. Não é pouca coisa essa relação. Então, eu lamento. Fico triste. Não fico com raiva.”

Lava Jato e Justiça

“Duvido que um desses juízes que me condenaram tenha coragem de olhar para a cara de um filho de 8 ou 10 anos e dizer a verdade. Ele vai ser cobrado amanhã.”

“A Polícia mentiu no inquérito, o Ministério Público mentiu na denúncia, e o Moro sabia que não era verdade e aceitou e transformou as mentiras num processo que me condenou.”

“Se sou o chefe da quadrilha, como eles falaram, por que é que os meus ‘assaltantes’ roubaram tanto, 100, 200 milhões de reais, e esse babaca aqui ficou com um apartamento de cento e poucos metros quadrados?”

Globo

“A razão pela qual a Globo quer derrubar o Temer não é a razão pela qual eu quero. A mentira inventada, a troco de conseguir mais um mandato para o Janot e de levar o atual presidente da Câmara a ser presidente da República, foi uma coisa sórdida.”

Brasil

“O Brasil não tem o direito de se auto-mutilar como estamos fazendo. Essa situação em que a única forma de agradar o chamado mercado – interno ou externo – é destruindo o patrimônio público é uma loucura.”

“Eles aceitam o intelectual de esquerda, eles aceitam um intelectual progressista. Eles não aceitam é um peão com consciência.”

PT

“O PT não nasceu para ser um partido revolucionário, nasceu para ser um partido democrático e levar a democracia até as últimas consequências.”

Eleições

“Não fui eleito para virar o que eles são, eu fui eleito para ser quem eu sou. Tenho orgulho de ter sabido viver do outro lado sem esquecer quem eu era.”

“Quero voltar e provar que tenho competência de recuperar este País. Quero fazer de novo esse País sorrir. É por isso que quero voltar. Não é para ficar me vingando de ninguém.”

“Eles vão tentar colocar o PT na ilegalidade.”

Impeachment

“Jamais imaginei, depois de 1988, que a gente teria outro golpe. Eles civilizaram o golpe, modernizaram o golpe.”

Carta Capital