Em quatro anos, voluntários realizam mais de 100 ações de limpeza do fundo do mar

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Em quatro anos, voluntários realizam mais de 100 ações de limpeza do fundo do mar

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Um dos idealizadores do projeto, Bernardo Mussi, foi o entrevistado do programa Isso é Bahia, da rádio A TARDE FM

Todo ano é assim. Acaba o Carnaval e o que sobra para contar, além de histórias, é também o lixo deixado pelos foliões. Pensando no meio ambiente e em recuperar o bem-estar da vida marinha, um grupo de quatro amigos surfistas decidiu criar, em 2010, o projeto voluntário Fundo da Folia. O objetivo é retirar os resíduos abandonados no mar da Barra.

Um dos idealizadores do projeto, Bernardo Mussi, foi o entrevistado do programa Isso é Bahia, da rádio A TARDE FM, nesta quinta-feira, 27, e falou sobre as dificuldades e soluções para preservar a vida marinha.

De acordo com Mussi, as ações são totalmente voluntárias, ou seja, não contam com patrocínio nem envolvimento político. “Por isso que deu tanto certo. As pessoas vão pela vontade de fazer a coisa acontecer”, contou.

Só para se ter uma ideia, em 2017, o grupo realizou 47 ações, e, somente em 2020, já são cinco contabilizadas. Além da Barra, o grupo realiza ações nas praias da Boa Viagem, Ondina, Rio Vermelho, Gamboa, entre outros.

Percepção do Lixo

No Carnaval deste ano, o Fundo da Folia promoveu a coleta de lixo no fundo do mar, e, segundo Bernardo Mussi, a quantidade de resíduo tem diminuído pouco em relação aos outros anos. “Acredito que a Limpurb (Empresa de Limpeza Urbana de Salvador) tem ajudado para retirar o lixo das ruas, das calçadas e da faixa de areia, o que faz com que menos lixo chegue ao mar. Entre os produtos encontrados nas coletas, estão: espetinhos, latas de bebidas, garrafas PET, roupas e enfeites de Carnaval. Em época de chuva, encontramos mais materiais plásticos, de madeira e metal”.

O entrevistado afirmou que tem observado um avanço na conscientização das pessoas no descarte do lixo, mas o resultado aparece muito lentamente. Ele sugere, como forma de evitar a grande quantidade de lixo despejada no mar, adotar ações restritivas. “Uma medida interessante é fazer o que está sendo feito em São Paulo: restringir o uso de prato e talheres descartáveis, além de canudinhos plásticos”, sugeriu.

Parque Marinho da Barra

A partir do projeto, surgiu a ideia de criar, em 2012, uma unidade de conservação ambiental, no trecho entre o Farol da Barra e o Forte Santa Maria, no Porto da Barra. “A gente achou que estava enxugando gelo e, por isso, pensamos em deixar algo concreto para a cidade. Contamos com a colaboração de integrantes da Associação de Moradores da Barra (Amabarra), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Ministério Publico do Estado da Bahia e vários órgãos públicos e privados”.

Segundo Bernardo, no ano passado, o prefeito de Salvador, ACM Neto, assinou o decreto para criação do Parque, que agora está em processo de implementação. “O local é a entrada para a Baía de Todos-os-Santos, com possibilidade de visitação a três naufrágios na região, datados de 1875, 1876 e 1903. São verdadeiros sítios arqueológicos”, revelou.

ATARDE|FOTO: SHIRLEY STOLZE/ AG. ATARDE