Infectologista vê impossibilidade de realizar carnaval seguro: “As pessoas se abraçam e se beijam”

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Infectologista vê impossibilidade de realizar carnaval seguro: “As pessoas se abraçam e se beijam”

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Ceuci Nunes disse que para o carnaval ser seguro, teria que mudar a cultura| Foto: Rafhael Muller / Ag. A TARDE

A médica infectologista e diretora geral do Instituto Couto Maia, Ceuci Nunes, descartou qualquer possibilidade, do ponto de vista científico, de que o Carnaval de 2022 possa ser uma festa segura para a população com a pandemia da Covid-19 ainda na espreita.

“É uma festa que as pessoas se abraçam, se beijam. Para ser seguro, teria que mudar a cultura, e o Carnaval é a cara da Bahia. Talvez ainda possa ser esse ano o carnaval, mas não agora”, disse Ceuci Nunes em entrevista ao programa Isso É Bahia, na rádio A TARDE FM, nesta quarta-feira, 24.

A diretora geral do Instituto Couto Maia alega que os estudos têm mostrado que é importante que a população tome a terceira dose e que não haverá como, até fevereiro, existir uma boa cobertura de pessoas protegidas. “A máscara e o distanciamento social devem permanecer por um tempo. Nenhum país trabalha com a hipótese de covid zero. Se tivermos a população toda vacinada, ainda assim o vírus vai circular”. No entanto, a boa notícia, segundo Ceuci Nunes, é que o nível de confiança da vacinação no Brasil é grande, se comparado com o de alguns países europeus. “Lá [na Alemanha], o movimento antivacina é muito grande. Elas [as pessoas] ficam sem se vacinar por conta das notícias falsas. Aqui, até os negacionistas estão indo se vacinar, porque há uma cultura de vacinação graças ao SUS e ao programa nacional de imunização”.

Perguntada pelo apresentador Jefferson Beltrão sobre quando a pandemia terá um fim, ao ponto de as pessoas não precisarem mais usar máscara, Ceuci foi cautelosa na resposta. “Essa é uma pergunta muito difícil, porque sabemos que a terceira dose traz mais proteção, mas não sabemos por quanto tempo. Para voltar a vida ao normal, pode demorar mais um pouco”.

A TARDE POR LUCAS FRANCO