Morre Chica Xavier, atriz baiana de ‘Sinhá Moça’, aos 88 anos no Rio

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Morre Chica Xavier, atriz baiana de ‘Sinhá Moça’, aos 88 anos no Rio

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Em nota, a TV Globo disse que a Bahia perdeu “uma referência de sua história artística”. A emissora destacou seu trabalho e sua importância para a população negra| Foto: Reprodução

A atriz Francisca Xavier Queiroz de Jesus, a Chica Xavier, conhecida por papéis marcantes em novelas como “Sinhá Moça” e “Renascer”, morreu na madrugada deste sábado, 8, aos 88 anos, vítima de câncer de pulmão. Ela estava internada no Hospital Vitória, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, e tinha câncer.

Natural de Salvador, onde nasceu em 1932, Chica mudou-se para o Rio em 1953, onde estudou teatro com Pascoal Carlos Magno. Em 1956, Chica estreava no Teatro Municipal, na histórica montagem “Orfeu da Conceição”, com texto de Vinicius de Moraes. A atriz fazia o papel da Dama Negra, que simbolizava a Morte, e atuava ao lado de Haroldo Costa, Léa Garcia, Cyro Monteiro, Dirce Paiva e Clementino Kelé, com quem era casada desde então.

Ela também atuou também em novelas como “Dancin Days” (1978), “Pátria minha” (1994)”, “Cara & Coroa” (1995), “O rei do gado” (1996) e “Força de um desejo”. Seu trabalho mais recente na TV foi “Cheias de charme” (2012).

Em entrevista ao site G1 a neta de Chica Xavier, a atriz Luana Xavier, contou que, em março, a avó precisou passar por uma série de exames porque havia uma suspeita de pneumonia. “Por ser período de pandemia, a médica dela recomendou que esperássemos um pouco mais para podermos fazer uma investigação mais incisiva, mas não imaginávamos que seria tanto tempo de isolamento social! Contou Luana.

Segundo ela, na última quarta-feira, 5, a respiração de Chica piorou bastante – diante desse quadro, médica e família decidiram levá-la à emergência. Exames feitos no hospital apontaram que ela havia sido acometida por um câncer de pulmão, já em metástase. Não houve diagnóstico de Covid-19.

“Minha avó sempre colocou amor e fé em tudo o que faz. Ela teve uma carreira curta no teatro – justamente porque sempre quis cuidar da família. Minha avó tem muito de infinito e tenho certeza que tudo que ela fez vai ficar para sempre nas nossas vidas”, contou Luana, ao site de notícias.

Em nota, a TV Globo disse que a Bahia perdeu “uma referência de sua história artística”. A emissora destacou seu trabalho e sua importância para a população negra. “Uma precursora, símbolo de gerações de atrizes e atores negros, de representatividade, que trazia em cada cena ou fala traços latentes de baianidade. Nunca negou a origem. Um sorriso inconfundível, que bastava ser visto uma vez para não mais esquecer”.

Participou ainda de produções no Canal Futura e nas TVs Bandeirantes, Manchete e Educativa. Chica ainda esteve presente em 11 filmes, entre eles o clássico do Cinema Novo “O assalto ao trem pagador”, de 1962, dirigido por Roberto Farias.

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