Morre Winnie Mandela, ícone da luta anti-apartheid

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Morre Winnie Mandela, ícone da luta anti-apartheid

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Madikizela-Mandela faleceu no início da tarde desta segunda-feira em um hospital em Joanesburgo. Winnie se tornou um exemplo mundial da luta contra a discriminação racial

Winnie Madikizela-Mandela, militante sul-africana que lutou contra o apartheid, morreu nesta segunda-feira 2. Ex-esposa de Nelson Mandela, também ícone da luta contra a divisão racial da África do Sul, sua morte foi anunciada pelo seu assistente pessoal Zodwa Zwane, ao jornal sul-africano Times.

O porta-voz da família, Victor Dlamini, informou que ela faleceu após “uma longa doença”, que a obrigou a ser internada várias vezes desde o início do ano. “É com grande tristeza que informamos ao público que Winnie Madikizela Mandela morreu no Hospital Milkpark, em Joanesburgo, na segunda-feira, 2 de abril”, disse o porta-voz. Segundo nota, ela morreu nas primeiras horas da tarde desta segunda, cercada pela família e entes queridos. Devido a uma infecção nos rins, a ativista chegou a ser internada no dia 20 de janeiro.

Madikizela-Mandela foi um dos pilares da luta contra o apartheid e permaneceu lutando na clandestinidade durante os 27 anos em que o seu então primeiro marido, Nelson Mandela, estava preso.

Ficou conhecida como “mãe da nova África do Sul” e foi presa, passou por prisão domiciliar mesmo sem julgamento, perdeu o emprego no qual sustentava duas filhas, foi torturada e viveu períodos de confinamento em ambientes afastados ou controlados.

Nas primeiras eleições em 1994, ela foi nomeada vice ministra de Artes e Cultura, e depois chegou a ser deputada. No ano, Mandela foi eleito o primeiro presidente negro do país, e dois anos depois o casal se separou. Madikizela Mandela e Mandiba – apelido de Mandela – se conheceram em 1957, e consumaram a união em 1958. A separação se deu em 1992, dois anos depois da saída dele da prisão, mas a data oficial do divórcio é de 1996.

Sua reputação era marcada pelas atitudes radicais que adotava na luta anti-apartheid, mesmo em momentos em que Mandela defendia a conciliação. Manteve apoio popular, mas foi condenada pelo sequestro e assassinato do militante Stompie Seipei, que foi decapitado por ter sido considerado um informante.

A Comissão da Verdade e Reconciliação publicou um relatório final de 1998, onde era acusada de ser responsável por “graves violações de direitos humanos” através do grupo denominado Soweto Mandela United Football Club. Apesar da popularidade, segue como figura de referência na luta contra a discriminação racial.

Carta Capital| Foto: GCIS